O CREMATÓRIO MUNICIPAL DR. JAYME AUGUSTO LOPES É MONOPÓLIO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO. ESTE PORTAL É PRIVADO E NÃO POSSUI QUALQUER VÍNCULO COM O CREMATÓRIO.
site privado, não possuímos vínculo com o crematório
ATENDIMENTO EMERGENCIAL 24H (11) 3230-1959

Processo de Mumificação: Conheça cada etapa

de aleah, 17 de setembro de 2020


A mumificação é definida como um fenômeno natural ou causado por mãos humanas, que acaba por preservar um corpo da decomposição. Nesse processo, a decomposição do corpo humano tende a ocorrer lentamente, ao longo de anos ou séculos, quase que imperceptivelmente.

Por ser um processo bastante antigo, e apresentar diversas técnicas e variações ao longo dos milênios, ele abre espaço para várias discussões. E discutir sobre o processo de mumificação é, justamente, o que vamos tratar no artigo de hoje.

História da Mumificação

Mesmo excluindo-se o processo de mumificação natural, a ideia de se preservar um corpo em bom estado depois de sua morte, é bastante antiga. Esses processos são encontrados em civilizações bastante diversas como maias, incas e egípcios.

Por conta dessa variedade de culturas, é bastante difícil se precisar quando esses processos de mumificação começaram a serem empregados. O mais provável é que tenham surgido no Egito após o período nacadano (cerca de 3000 a.E.C.). Mas surgiram, em outros períodos em civilizações, sem nenhuma influência dos egípcios.

Isso se deve à tentativa de se imitar o processo de mumificação natural ocorrido na natureza. Processo esse que ocorre em decorrência de climas extremamente secos, que diminuem, drasticamente, a atividade das bactérias responsáveis por decompor os cadáveres.

Mumificação Natural

Um corpo pode passar por um processo de mumificação natural. Nesses casos, o ambiente contribui enormemente para isso. De maneira geral, isso ocorre pela redução ou eliminação da atividade bacteriana no interior ou exterior do corpo. Isso pode ocorrer por baixas condições de umidade. Mas nem sempre.

Veja alguns exemplos de condições favoráveis para a mumificação natural:

  • Frio extremo, como os Andes ou outras regiões cobertas por permafrost.
  • Calor extremo, como no Saara ou no Atacama;
  • Sepultamento em locais quentes (desde que de maneira involuntária);
  • Regiões pantanosas.

Nesse último caso, destacamos que esse processo ocorre devido ao musgo Sphagnum. Ele secreta uma substância conhecida como glycuronoglycan15, que inibe o crescimento de bactérias. Em outras condições, os pântanos podem acelerar a decomposição de matéria orgânica e a liberação de gases como metano, resultando em combustões.

O que ocorre nessas condições, quimicamente falando, é o retardamento ou interrupção dos processos de decomposição dos corpos. Para isso, são eliminadas as enzimas, como amilases, lípases e proteases, organismos responsáveis por dissolverem o cadáver. Isso, geralmente, se dá pela provação de água e outros nutrientes essenciais à vida.

Alguns exemplos de múmias naturais:

  • Múmias do período nacadano, no atual Egito;
  • Ötzi, uma múmia da Idade do Cobre, na atual Itália, primeiro exemplo de tatuagens;
  • Múmias da Guanjuato, no atual México, no século XIX;
  • Homem de Lindow, na atual Inglaterra, na Idade do Ferro.

Processo de Mumificação Artificial

Esses processos de mumificação foram usados para se copiar os processos naturais e preservar os entes queridos com intuitos religiosos ou, até mesmo, político. A ideia de imortalidade (figurativa ou real) permeia todos esses processos de preservação do corpo. Veja alguns exemplos de substâncias para a mumificação artificial:

  • Natrão: consiste em uma mistura de sais diversos, como o carbonato e o cloreto de sódio, o bicarbonato de sódio e o sulfato de sódio;
  • Betume: é um líquido viscoso e escuro, semelhante a piche ou alcatrão que, também, é formado por variados tipos de hidrocarbonetos;
  • Mirra: é uma resina, de cor avermelhada, proveniente de árvores de pequeno porte do gênero Commiphora, muito utilizada em rituais religiosos diversos;
  • Bálsamo de cedro e cominho: esse líquido é extraído dessas plantas e, além de preservar o corpo, apresenta odor agradável. O cedro ainda hoje é usado para eliminar traças, sendo utilizado em cabides de madeira;
  • Cera de abelha;
  • Mel: embora seja utilizado para o transporte do corpo (como ocorreu com o cadáver de Alexandre Magno entre a Índia e a Macedônia) e não para a preservação dele em si.

Quais São As Etapas de Uma Mumificação?

Como dissemos, o processo de mumificação artificial ocorre a milênios. E, durante esse tempo, diversas técnicas foram utilizadas. Além disso, essas técnicas se alteram de lugar para lugar e, também, de acordo com a classe social da pessoa. Também podem ocorrer mudanças e aperfeiçoamento de uma mesma técnica.

Podemos tomar como exemplo o Egito Antigo, primeiro lugar que pensamos quando falamos de múmias. As pessoas de classe mais baixa podiam ser submetidas ao processo de mumificação natural, sendo enterradas no deserto, propositalmente.

Em alguns casos, existia um processo mais elaborado para esses estratos mais baixos. Injeta-se, pelo ânus, essências e vinhos corrosivos. Em seguida, o orifício é tampado por alguns dias. Ao se retirar o tampão, os órgãos e bactérias, liquefeitos, são escorridos. O corpo é então enfaixado e entregue à família.

Entre os faraós, existia um costume mais antigo que os demais, de se cozinhar o cadáver até que se sobrassem, apenas, os ossos intactos. Estes eram pintados de vermelho, enfaixados e postos em uma múmia feita de gesso. O rosto do morto era pintado no gesso. O corpo era, então deixado ao sol, com uma pequena estátua ao seu lado.

Essa estátua, chamada de shabti, era usada como receptáculo do ka do faraó. Os egípcios acreditavam que existiam dois espíritos nas pessoas, o ka e o ba. O primeiro se dissipava com a morte se não fosse preservado e o outro permanecia com o corpo. Por isso, eles deveriam ser ambos preservados para uma eventual ressurreição.

Mas, a mais famosa era, sem dúvidas, a mumificação osiriana.

Passo a Passo de Um Processo de Mumificação Osiriana

Esse processo recebe o nome em honra ao deus dos mortos Osíris, dito ser a primeira múmia. As múmias mais antigas que passaram por esse processo foram encontradas com certa umidade e decomposição, indicando um processo ainda não aperfeiçoado. Segundo escritos da época, o processo consistia em:

  • 1º Passo: o cérebro do cidadão de classe alta era retirado através das narinas. Esse processo era feito com o uso de pinças metálicas e, algumas vezes, vinagre, para dissolver o órgão;
  • 2º Passo: é feita uma incisão do lado esquerdo do corpo, por onde retiram-se a maior parte dos órgãos internos. O coração não era retirado, pois acreditava-se que era onde as emoções ficavam. Também acreditava-se que o coração seria pesado, às portas do Duat (o além-vida) pelo deus Anúbis, para julgar o morto.

Aqui deve-se destacar que, em alguns períodos, os órgãos (com exceção do cérebro dissolvido) eram também, mumificados.

  • 3º Passo: natrão era aplicado dentro e fora do corpo para a eliminação de toda a água. Ele era mantido, assim, entre 40 e 72 dias, para completar o processo.
  • 4º Passo: usando-se bálsamos diversos, o corpo era lavado para se retirar o natrão;
  • 5º Passo: finalmente, utilizando-se faixas ou tecidos de linho, o corpo era enfaixado;
  • 6 Passo: nas sepulturas, o corpo era depositado em um sarcófago e a seu lado colocadas as coisas de que o morto necessitaria no Duat (uma cópia de sua vida passada). Isso poderia incluir objetos, armas, animais (e criados) mumificados e um ou mais shabtis. Além de servirem de receptáculos, estes poderiam ser, também, criados.

Mumificação Atualmente


Atualmente, para o transporte de corpos, ainda são utilizadas técnicas de embalsamento. Nelas, usa-se o formol, que inibe a ação de bactérias até a sua evaporação.

Mesmo assim, ainda se usam processos de mumificação, em casos especiais.

  • Em casos dos chamados corpos incorruptíveis, corpos de santos católicos, que passaram por um processo de mumificação natural, são recobertos com cera. Assim, suas peles são, também, preservadas.
  • O líder soviético Vladmir Lênin, após sua morte em 1924, foi eviscerado, limpo com água destilada e ácido acético e lavado com formalina para secar. Em seguida, para ser preservado, foi mergulhado em uma solução de glicerina, acetato de potássio, cloreto de quinina e água. A refrigeração do local também é controlada. Lênin desejava ser cremado.
  • Plastinação: esse processo substitui todos os fluídos do corpo por materiais plásticos, como epóxi ou silicone. As partes do corpo adquirem plasticidade e podem estudadas ou laminadas para diversos fins científicos. Também podem ser usadas para exibições artísticas, com o intuito de divulgação científica.
×